Carga Mental
31.05.2017
Há 2 dias vejo circulando por aí uma sequência de "quadrinhos" ou "banda desenhada", como dizem em Portugal, que menciona a questão da "carga mental" que algumas mulheres sofrem diariamente e não se apercebem.
Por definição, o conceito de "carga mental" remete, de um modo geral, para a pressão cognitiva e emocional resultante do confronto com as exigências associadas ao exercício do trabalho. Pode acontecer em qualquer atividade profissional que requer grande empenho.
Quem já passou ou passa por isso, dentro do ambiente doméstico, se identifica com pelo menos algumas das situações ali descritas.
A questão maior disso tudo é: como se libertar desta tal "carga mental"?
Para algumas mulheres, isso tudo se resolveria se os maridos contribuíssem nos cuidados com a casa e educação dos filhos, mas para outras, acredito que a questão é mais interiorizada, pois a mulher assume aquilo tudo como se fosse responsabilidade dela (muitas vezes sem se aperceber), e o parceiro nem se dá conta de que ela esteja vivendo um conflito tão intenso. E é mesmo intenso.
Por vezes, esta tal carga aparece como forma de um cansaço extremo, mas que algumas pessoas pensam ser "normal" após o nascimento dos filhos...
Não sei se é normal ou não, mas acredito que as mulheres (ou grande parte delas) tem esta característica "quase natural" de assumir as responsabilidades da casa e filhos, até a hora que se apercebem de que já estão no limite.
Se isso juntar-se às factores depressivos, ou outras questões emocionais, só terapia ou medicamento salva. =(
Como isso é um blog e tenho a liberdade de mencionar experiências pessoais, posso dizer que já vivenciei dias de puro desespero e esgotamento sem notar o que se passava exactamente. E, como "super mulher" que somos, vamos vivendo dia-a-dia e esperando por dias melhores, em que finalmente acordaremos pela manhã, super animadas, livre daquele sentimento de tristeza que muitas sabem o que é.
Posso dizer também que já presenciei meu marido em momentos de grande stress porque em alguns dias, quando tem mais disponibilidade, ele assume algumas tarefas aqui e casa e cuidados com nosso filho.
Sem entrar em grandes pormenores, houve um período em que o comportamento dele me chamou a atenção. Foi um período em que eu precisei ficar em repouso e totalmente afastada do trabalho ou qualquer actividade doméstica. Neste período, com algum esforço "mental", consegui me libertar da responsabilidade e consegui dias de relaxamento, onde me permiti despreocupar com as coisas da casa. Foi aí que percebi claramente, após algumas semanas, que meu marido se encontrava com algum esgotamento... Claro, ele assumiu tudo, teve que pensar em tudo, tratar de tudo... além das tarefas profissionais dele.
Enfim... Vejo que esta tal "carga mental" não é exclusivamente algo que acontece com as mulheres, e sim, com quem assume integralmente o papel nas responsabilidades do dia-a-dia doméstico.
Neste ponto, penso que é importante não só "pedir", mas mostrar aos parceiros como é crítica e difícil esta experiência. Se houver entendimento e for possível partilhar tarefas e responsabilidades, acredito o que a vida em família será mais harmoniosa. =)
Veja a ilustrações traduzidas. Vale a pena a reflexão.
Nota:
A banda desenhada foi publicada originalmente em francês, pela a quadrinista Emma, de 36 anos e traduzida para o português por uma equipa chamada Bandeira Negra. As estatísticas apresentadas foram adaptadas para representar a realidade brasileira, com dados retirados de pesquisas do IBGE.
*A Caracolinhos não tem nenhum vínculo com as referidas páginas.

























